Tratamento da Hipotensão Liquórica
Diversas modalidades de tratamento existem, a depender do tipo de fístula liquórica, de sua identificação e da resposta de cada paciente
Blood-patch epidural (tampão sanguíneo)
Em um blood-patch epidural, o próprio sangue do(a) paciente é injetado no espaço epidural (o espaço fora da dura-máter, dentro do canal vertebral), formando um “remendo” sobre a dura-máter. Isso geralmente é feito por um anestesista, radiologista ou cirurgião de coluna, usando orientação por imagem e leve sedação intravenosa.
Um blood-patch pode ser direcionado (ou seja, colocada no local conhecido onde o vazamento) ou pode ser não direcionado (colocado em um ou mais locais lombares ou toracolombares sem se saber onde está a fístula). Um blood-patch não direcionado é geralmente realizada quando o local do vazamento ainda não foi localizado. O volume (a quantidade administrada de sangue do próprio paciente) varia de pequeno (10 mL) a grande (100 mL), com uma parte da literatura sugerindo volumes mínimos de 20 ml como mais efetivos.
A maneira precisa pela qual um blood-patch é útil não é totalmente clara, uma vez que mesmo quando realizado fora do local exato da fístula costuma ser benéfico. Uma resposta favorável a um blood-patch epidural reforça o diagnóstico de vazamento, mas às vezes carece de durabilidade.
Embora as restrições após um blood-patch sejam individualizadas, é comum que os médicos recomendem evitar flexões, levantamentos, torções e esforços (valsalva) por cerca de 4 a 6 semanas. Saiba mais sobre as recomendações após um blood-patch.
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Vai fazer um blood-patch? Veja orientações de cuidados pós-procedimento.
Cola de fibrina
O selante de cola de fibrina é um adesivo biológico, composto por um produto sanguíneo agrupado. O selante de cola de fibrina pode ocasionalmente resultar em reações alérgicas ou anafiláticas, mas o pré-tratamento com medicamentos reduz esse risco. A injeção de selante de fibrina no espaço epidural é um uso off-label, mas a experiência acumulada demonstrou que é seguro em mãos experientes. Este procedimento é mais frequentemente realizado por radiologistas com orientação por imagem para atingir locais específicos de vazamento conhecidos ou suspeitos. Anestesiologistas e outros médicos também realizam esse procedimento. Pode ser utilizado isoladamente ou em combinação com sangue total. Embora seja um tratamento mais novo e com menos estudos, acredita-se que seja mais efetivo no fechamento da fístula do que o sangue sozinho.
Cirurgia
Os reparos cirúrgicos podem não ser tão simples do ponto de vista técnico, sobretudo pela localização anaterior frequente desses vazamentos (na frente da medula, dificultando o acesso por trás). A abordagem específica é adaptada ao tipo e localização do vazamento e ao paciente individual, devendo ser discutido com um(a) cirurgião(ã) de coluna com experiência.
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Embolização transvenosa
Especificamente nos casos de fítula venoliquórica (liquor-venosa ou csf-venous fistula), a abordagem diretamente pela veia é uma opção minimamente invasiva. O neurorradiologista intervencionista utiliza um acesso na veia da virilha para introduzir um catater até a região da fístula liquórica, possibilitando a inejção de material de embolização visando ocluir as veias de drenagem, fechando o extravasamento.​